STEPHAN DOITSCHINOFF

trabalhos

INTERVENTU

Irish Museum of Modern Art - Dublin, 2017

“As Above So Below: Portals, Visions, Spirits & Mystics”

Curadoria: Rachel Thomas e Sam Thorne

Instalação: Madeira, latão, cobre e tecido.

 

Interventu (do latim Intervenção) origina-se da pesquisa sobre a prática votiva e os diversos tipos de ex-votos, objetos oferecidos a santos e divindades em troca de uma graça. A partir da apropriação de ex-votos originais de Juazeiro do Norte (Brasil), interferência em objetos (esculturas anatômicas em madeira e parafina) de mesma natureza ainda não ritualizados, inserção de rendas, símbolos autorais e a criação de outras entidades, o artista idealizou um grande altar para a fachada do Irish Museum of Modern Art. O altar é composto das obras Nubes lacrimarum, Spectrum, Palma Votiva, dois portais com ex-votos modificados e criados para o projeto.

 

Nubes lacrimarum (do latim Nuvem de Lágrima) e Spectrum (do latim Fantasmas) são esculturas feitas com roupas de segunda mão que foram doadas e também garimpadas em brechós, especialmente vestido de noiva, de primeira comunhão, de batizado e lençóis de cama. Nos santuários de romaria é comum encontrar esse tipo de vestuário oferecido como presente aos santos, além das fotografias, pinturas (retratos) e objetos diversos (anéis de formatura, muletas, caminhões de brinquedo, enxoval de bebê e berços). Em cada camada de tecido da nuvem e dos fantasmas (boa parte costurada à mão), perpetuam no espaço histórias, desejos e promessas.

 

A estrutura da nuvem é inspirada nos pálios utilizados nas procissões e nos baldaquinos de basílicas, que na instalação resguarda o ex-voto Votive Palma. Na concepção dos fantasmas, a cor e o volume são influências direta de religiões afrobrasileira (candomblé, umbanda e quimbanda), especificamente os trajes das Mães de Santo (ou Ialorixá). A forma triangular tem semelhanças com representações da Virgem Maria. Cada Spectrum integra um portal com ex-votos de madeira e a aplicação de renda e latão.

 

Palma Votiva, produzida com latão e peças esculpidas por repuxo, fundição, corte e solda, possui dezoito símbolos incrustrados na palma da mão. Os símbolos são recorrentes na produção do artista, a maioria são autorais ( como a Foice com Mariposa, o Intestino Coroado e a Escada de Degraus Tortos ), exceto as velas (representações oriundas da umbanda). A escultura é considerada por Doitschinoff um ex-voto gigante.

 

Os portais com ex-votos criados e modificados com renda e latão, formam a base do altar. Cada portal propõe um caminho para a reflexão sobre aspectos da prática votiva, romarias e peregrinações a locais de devoção. No portal com Spectrum e ex-votos com renda sobreposta, espíritos em festa estão vestidos para a celebração do milagre.

 

Para Doitschinoff, dentre as diversas manifestações religiosas que caracterizam a busca de uma comunicação direta entre o indivíduo e o divino, o ex-voto ainda se preserva próximo ao de rituais pagãos. Nesse universo sincrético do altar, conjugam-se elementos religiosos, xamânicos e artísticos, invocando a liberdade primitiva da manifestação ritualística.

 

Texto por Sabrina Leal

 

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