STEPHAN DOITSCHINOFF

Fotos por Nicole Heiniger, Sonia Onate e Calil Neto

trabalhos

Temporal (2006 - 2008)

Tomba Surrão, Alto da Estrela, Sem Teto - Lençóis, Bahia, Brasil

 

Texto publicado originalmente no livro Calma: the art of Stephan Doitschinoff

por Carlos Alcobia

Lençóis é uma etapa fundamental para a compreensão da obra de Stephan. Durante três anos ele habitou as suas casas, conversou com as suas gentes, partilhou das suas mesas, e pintou as suas ruas. No final a sua caminhada tinha feito da própria vila a sua obra.

 

Cravada nas suas paredes a dureza própria da história do garimpo. É a visibilidade concedida ao imaginário coletivo através de murais que retratam diamantes de sangue sendo expelidos do estômago de garimpeiros, uma homenagem à memória daqueles que se viram esventrados pela ganância e desconfiança dos seus patrões. Noutras paredes alastram-se diamantes fumando cachimbos e usando cartolas denunciando as relações de exploração capitalista.

 

[...]( O artista ) Instalou-se fora do seu centro e interveio diretamente nos seus bairros marginalizados (Alto da Estrela, Tomba Surrão ou Sem teto). O seu atelier localizava-se também ele fora do espaço gentrificado, no alto de um morro em Tomba Surrão, e foi por se encontrar alojado dentro dessa marginalidade que Doitschinoff consegue registrar as suas histórias, partilhar dos seus espaços, e ser convidado para pintar as suas casas.

 

Contudo Stephan procura responder em cada intervenção à reflexão que o espaço lhe merece e não ao que o anfitrião possa desejar. A fronteira é tênue e discutível, mas existe e é determinante. A relação com o outro é construída pela diferença e não em falsos pressupostos de consenso. A partilha surge-nos também através do confronto.

 

 [..] Numa cidade construída sobre o que resta de um enorme diamante negro estelar (da Era Mezóica, 200 milhões de anos atrás), Stephan pintava murais com a inscrição Caput Corvi durante um processo em que se prestava a reunir os fragmentos das suas próprias narrativas pessoais. [...] Caput Corvi, ou a cabeça do corvo, simboliza o nigredo. Esse grau máximo de negro que representa para a Alquimia a morte espiritual e a eminência de algo incorruptível. É o nigredo que possibilita ao alquimista prosseguir a sua demanda pela Pedra Filosofal. O negro absoluto que lhe sinaliza o início do fim de um ciclo e lhe abre o começo de outro.

Lençóis constitui para Stephan o seu diamante negro. Solvite corpora et coagulate spiritum, dissolve e coagula, o fim de um caminho é o início do próximo.

 

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